A CHEGADA DOS IMIGRANTES AO RIO GRANDE DO SUL

4:07 PM



Embora a situação econômica de toda a Itália tenha se deteriorado durante o período final do século passado, a crise não abalou igualmente todas as regiões.

O Norte foi a primeira área a ser atingida, pois ali começou a se desenvolver a industrialização, deixando os agricultores que complementavam sua renda com o trabalho artesanal sem emprego e sem ter mercado para colocar seus produtos - que não podiam competir com os feitos pelas fábricas locais ou com os importados. Por isto, o norte da Itália forneceria as primeiras grandes levas de emigrantes, e o Sul só viveria o processo de emigração mais tarde, principalmente a partir do início deste século.

O Rio Grande receberia parte dessas primeiras levas, a partir de 1875, vindos primeiro do Piemonte e Lombardia, e depois do Vêneto. Quando começou a imigração do Sul, em 1901, as terras disponíveis no estado já estavam quase que totalmente ocupadas e, por isso, no Rio Grande predominaram os italianos vindos do norte.

Os primeiros colonos que chegaram escreviam para suas famílias e amigos, contando as vantagens que encontraram na nova terra - e muitas vezes omitindo as dificuldades. Assim, atraíram novos imigrantes, e por isto muitos dos que vieram para cá são das mesmas localidades e até das mesmas famílias.

A principal área de emigração para o Rio Grande, na Itália, foi o Vêneto, onde a crise era maior por volta de 1875, sobretudo nas províncias de Vicenza, Treviso e Verona. Também vieram muitos de Cremona, Mântua e parte da Bréscia, regiões próximas do Vêneto, e do Bérgamo, província no sopé dos Alpes.

A região de Trento, especificamente na área de Trentino Alto Ádige (que só foi anexada à Itália após a Primeira Guerra Mundial) e de Friuli-Venécia Julia (principalmente nas montanhas próximas ao Vêneto) também forneceram emigrantes para o Rio Grande.

Em um cálculo aproximado, estima-se que do total de imigrantes que veio para o estado, 54% era de vênetos, 33% de lombardos, 7% de trentinos, 4,5% de friulinos e as outras regiões forneceram os restantes 1,5%.

Calcula-se que, entre 1875 e 1914, entraram no estado entre 80 e 100 mil italianos. A grande predominância de vênetos fez com que aqui os dialetos da região prevalecessem, e que, da fusão dos diversos dialetos, surgisse uma "língua geral", que é chamada de vêneto. Mas essa "língua" foi enriquecida com expressões locais, para designar hábitos e objetos inexistentes na Itália, tais como o churrasco (sorasco), bombacha (bombassa) e cangalha (gringaia).

(Fonte: RS Virtual).


Sobre as léguas cedidas pelo governo, em 1869, alegando que já se encontravam ocupadas as terras anteriormente recebidas, a província pediu, por requerimento, mais duas glebas, com um total de 32 léguas quadradas. A solicitação foi atendida em fevereiro de 1870, estipulando-se, porém, em vista da lei de 1850, o valor de 1 real por braça quadrada.

Em 24 de maio do mesmo ano, o presidente da província criava então as colônias Conde d’Eu e Dona Isabel, homenageando assim o príncipe consorte e a herdeira do trono. As novas colônias, situadas entre os rios Caí e Antas, tendo mais ao norte os campos da Vacaria, e mais ao sul as colônias alemãs, localizavam-se em terreno acidentado da Serra Geral, com alguns acidentes íngremes e densa vegetação.

Ocupá-las com imigrantes seria também uma forma de aos poucos abrir uma via de comunicação com os campos no nordeste da província.

Entrementes, os serviços de imigração do império, tendo-se voltado para a Itália, defrontavam-se com o problema da falta de alojamento para um número de imigrantes maior que o esperado para as plantações de São Paulo.

Considerando que a província não conseguia ocupar as terras que recebera, e que aos poucos estavam sendo medidas, o império, que não encontrava lugar para colocar os excedentes, resolveu indenizá-la pelos gastos feitos até então e em 1875 assumiu as duas novas colônias.

Em maio do mesmo ano já começavam a chegar os primeiros imigrantes. Eram italianos do norte. Já antes haviam sido introduzidos colonos italianos. Dados do governo provincial indicam que, entre 1859 e 1875, 729 italianos entraram na província, sendo provável que a maioria proviesse de Montevidéu e Buenos Aires, e não fossem agricultores. Mas também, nas levas que o armador contratado devia transportar encontravam-se cerca de 10 famílias de italianos, que em 1873 contavam-se entre os povoadores da colônia de Santa Maria da Soledade.

Além das colônias de Conde d’Eu e Dona Isabel, já em 1873 o governo imperial iniciara a medição de terras devolutas às margens do rio Caí. Prosseguindo os trabalhos, foram ultrapassados os limites iniciais e em 1875 decidiu-se criar mais uma colônia, que recebeu o nome de Fundos de Nova Palmira. Decisão do governo, datada de março de 1877, modificava-lhe o nome, passando a chamar-se colônia Caxias.

Foi nela que se estabeleceram os primeiros imigrantes.

Dois anos depois de assumir a colonização, isto é, em 1877, o governo resolveu criar uma quarta colônia para imigrantes italianos, utilizando para tanto as terras de matas nas proximidades de Santa Maria, e onde já houvera tentativas anteriores de colonização.

Surgiu assim a colônia Silveira Martins. Estas quatro colônias foram o núcleo da imigração agrícola italiana para o Rio Grande do Sul.

Em 1884, estando ocupadas as terras de Conde d’Eu e Dona Isabel, os colonos começaram a atravessar o rio das Antas e o governo criou a colônia de Alfredo Chaves.

Em 1885, retomando a colonização devido à campanha abolicionista, a Colônia Caxias ultrapassou o rio São Marcos e foi criada a colônia do mesmo nome. No mesmo período, para além do rio das Antas, surgia também a colônia Antônio Prado. Em início da década de 1890, para além do rio Carreiro, surgiu a colônia Guaporé e, à margem direita do rio Taquari, diversos grupos de imigrantes criaram povoados que depois se transformariam no município de Encantado.

Em Silveira Martins, o território relativamente pequeno foi ocupado em pouco tempo, o que levou o poder público a criar, já na década de 1880, o Núcleo Norte (atual Ivorá) e o Núcleo Soturno (atual Nova Palma) e, pouco depois, Jaguari, Toropi e Ijuí Grande.


Os registros de imigrantes italianos iniciam-se em 1875, atendo-se quase que exclusivamente aos desembarcados em Porto Alegre e geralmente encaminhados para as colônias. Ora, os documentos eclesiásticos mostram que desde a década de 1820 havia italianos nos proclamas de casamento ou nos registros de batizado. Além do mais, uma ata da câmara municipal de Porto Alegre, de 1839, queixava-se de que o comércio de carne da cidade estava monopolizado por italianos, em prejuízo dos consumidores.

Os recém-chegados, como em todos os grupos emigratórios, eram pessoas relativamente jovens. Dados de Giron, (1976) indicam que, entre os adultos da colônia Caxias, 2/3 dos homens contavam entre 20 e 45 anos; e das mulheres, entre 20 e 40 anos.

O grupo vinha constituído basicamente por famílias, distinguindo-se nisto de diversas outras imigrações, como a de São Paulo no final do século. Havia viúvos trazendo os filhos, havia casados que deixaram a família na pátria, para mandá-la vir posteriormente, havia solteiros viajando com a família de parentes. Mais de 85% dos homens adultos, porém, eram casados. Casais a pouco constituídos tinham, pois, um número relativamente pequeno de filhos: pouco mais de dois por família.

Com o passar dos anos, porém, tornaram-se numerosos os filhos, tendo-se tornado célebres as taxas de fecundidade da colônia italiana gaúcha. Estudo, comparando a idade de casamento e o número de filhos por família, em municípios da Província de Belluno – Fonzaso, Arsiè, Arten e Fastro –, com dados da colônia Dona Isabel, para onde emigraram muitas pessoas destas localidades, constatou que a média de idade, na época do casamento, na Itália, era de 26,17 anos para os homens e de 23,06 para as mulheres.

Já no Brasil, a média baixava a 24,44 para os homens e 19,65 para as mulheres. Assim, a média italiana de 8,25 filhos por família, contra a média brasileira de 10,81, encontraria explicação não no aumento da taxa de fertilidade, mas nos cerca de 30 meses de antecipação do casamento por parte das imigrantes brasileiras (Costa, 1996, p. 255).

Produção agropecuária das colônias em 1884*


Habitantes

Eqüinos

Bovinos

Suínos

Trigo

Feijão

Milho

Vinho

Caxias

12.540

10.700

3.500

12.000

1.200

1.600

3.200

2.900

D. Isabel

8.339

11.700

3.800

12.000

1.445

1.736

3.011

2.795

C. d’Eu

6.036

1.732

701

8.422

794

1.608

3.556

2.759

S.Martins

6.001

2.000

1.000

10.000

1.200

1.600

3.200

2.900

TOTAL

32.916

26.132

9.001

42.422

4.639

6.534

12.967

11.354


*Animais em unidades, cereais em toneladas, vinho em litros.


Para a primeira e segunda léguas de Caxias do Sul dirigiram-se a seguintes famílias:

D. José Barea aponta como primeiros habitantes do território de Caxias do Sul três famílias milanesas de Monza: Stefano Crippa, Luigi Speráfico, e Tomazzo Radaelli, que realmente o foram, mas não só elas.

É provável que a respeito tenha havido esquecimento da tradição oral.

O fato é que os componentes da primeira leva chegada a Caxias do Sul, a 30 de setembro de 1875, eram 110, como consta do registro de concessão de lotes.

Segundo os nomes de família, assim se classificavam:

1º Radaelli, Giovanni e Maria com 9 filhos; e Tomazzo e Maria, casal sem filhos. O primeiro tinha 52 anos e o segundo apenas 39. Daí talvez o fato de só se recordar o nome do mais moço.

2º Crippa, Pietro (44 a.) e Maria, com 4 filhos; Emílio (41 a.) e Maria, casal sem filhos; Stefano (22 a.) e Natalina (l8 a.) de certo recém casados; Carlo e Antônia, casados, e Caetano, com 27 anos, solteiro.

3º Sperafico, Luigi (38 a.) e Ângela, com 5 filhos.

4º Casaghi, Carlo (43 a.) e Colomba, com l filho.

5º Berreta, Francesco (29 a.) e Emilia.

6º Boratti, Giovanni (22 a.) e Teresa - Francesco (56 a.) e Adelaide, casais sem filhos; Carlo (50 a.) e Carolina, com 2 filhos.

7º Sachine, Natale (30 a.) e Luigia, com 1 filho.

8º Gaviraghi, Ângelo (40 a.) e Petronilia, e Luigi (26 a.) solteiro.

9º Brambiglia, Pascoale (33 a.) e Rachelle; Luigi (33 a.) e Giuliana com 2 filhos.

10º Castaldi, Paolo (23 a.) e Bambina.

11º Barbieri, Giovanni (52 a.) e Luigia, com 4 filhos.

12º Ratoti, Giacomo (38 a.) e Ângela.

13º Benedetto, Tomazzo (38 a.) viúvo, Giorgio e Eugênia, sem filhos.

14º Boccardi, Carlo (42 a.) e Catarina, com 3 filhos.

15º Mauri, Carlo (39 a.) e Luigia, com 4 filhos.

16º Colombo, Ângelo (33 a.) e Maria, com l filha; Giovanni, Mateus, Antônio, e Ambroggio, maiores, solteiros.

17º Mariani, Antônio (20 a.) e Giuseppina (l7 a.) que constituíam o casal mais novo.

Além dos rapazes solteiros, já agrupados segundo os nomes de família, figuravam ainda entre os primeiros povoadores de Caxias do Sul os seguintes:

Eugênio Pegoreti, Giacomo Lamperti, Colli Ferruzzi, Luigi Porta, Zacarias Missaglia, Pietro Mame, Ângelo Maggine, Carlo Pergoni, Luigi Gervasoni, Francesco Maggine, Carmelo e Alessandro Andregoni, Agostino Salmori, Francesco Santo Agostino, Filippo Colonni, Gaspare Sardo, Natale Bonadeo, Giacomo Ferrari, Severino Conzi, Eurico Sangagli, Giuseppe Angeli, e Angelo Faccionello.

Como se observa da relação, imigravam famílias inteiras, como os Radaelli, os Crippa, os Boratti, mas também jovens casais em plena lua de mel, como aqueles Mariani que somavam ambos 37 anos e rapazes que vinham à aventura constituir aqui famílias. Teriam, é claro, que esperar novas levas, pois nessa primeira as meninas mais idosas eram Rosa Barbieri e Luigia Radaelli que contavam respectivamente 14 e 12 anos.

Certamente nem todas essas famílias e rapazes se perpetuaram em numerosos descendentes. Mas, em geral, a família do colono era rica de filhos e D. Barea cita como exemplo a de Francesco Basso, chegada a D. Isabel em 1879 com mulher e 7 filhos e que já em 1925 se compunha de mais 63 netos, 98 bisnetos e 7 trisnetos no total de 177 pessoas. A de Giusepe Mariani que, chegado com a esposa em 1876 em Nova Milano, contava no ano do cinquentenário 80 descendentes, e a de Giovanni Barea que totalizava 102.

Em julho de 1876 começaram a chegar os imigrantes ao Campo dos Bugres, ou seja aos lotes das 5ª, 6ª e 7ª léguas. A sede da que seria depois chamada "A PÉROLA DAS COLÔNIAS" teve a sua planta aprovada pelo Presidente Marcondes de Andrade a 10 de janeiro de 1879, o qual autorizou o diretor a providenciar na construção da igreja, no local assinalado no plano referido, pela quantia de Rs 2000$000, já concedida pelo Ministério da Agricultura.

Mal terminara a divisão dos lotes urbanos ali se estabeleceram Felice Laner, Luigi di Canali, Giovanni Paternoster, tiroleses; Giuseppe Sassi, e família, e Daniele Benetti, mantuanos, e Roberto Lunardi, toscano.

A primeira casa construída foi a de Laner, feita de troncos de pinheiros superpostos, com a aparência de verdadeira fortaleza.

O desenvolvimento da colônia foi rápido, e aos 10 anos de sua criação contava já com 13.818 habitantes.

O quarto núcleo de população italiana no Rio Grande do Sul, em ordem cronológica, mercê de sua situação no centro do Estado, do seu desenvolvimento por três municípios distintos, da vizinhança do grande centro ferroviário que é Santa Maria, não logrou o destino da maioria dos outros: constituir-se município autônomo.

Iniciada a colonização de Silveira Martins em começos de 1877, a ela foi dirigida uma leva de 70 famílias que navegou até Rio Pardo e fez o restante do percurso em carretas, durante 15 dias, para chegar ao destino - o Barracão de Imigrantes, no Vale de Buia.

Dela faziam parte, segundo o Cav. Ancarani, antigo vice-cônsul em Santa Maria, Prospero Pippi, Pedro Salla, Francisco Mezzomo, Domingos Panis, Antônio Fantineli, Domingos e Guerrino Rech, Pedro e Guerrino Lucca, Valentim Zambonato, David Monaco, Matteo Borrin e vários ramos de família Dotto, compreendendo cerca de 40 pessoas.

Chefiavam-na Lorenzo Biassus e Giovani Frota. Uma segunda leva composta de 70 famílias chegaria logo após, e no ano seguinte mais 170 viriam se alojar em seus lotes.

A colônia, atingindo aos poucos o planalto, se estendeu rapidamente por novos núcleos entre os quais Vale Vêneto, Vale Veronese, Nova Palma, Norte, Nova Treviso e Dona Francisca, situados nos municípios de Santa Maria, Júlio de Castilhos e Cachoeira, além de Arroio Grande, na baixada, à margem da Estrada de Ferro.

Vale Vêneto dista cinco quilômetros da sede de Silveira Martins e 22 léguas de Cachoeira. Vale Veronese pertence igualmente, em parte, ao referido município, embora fique apenas a 12 quilômetros de Silveira Martins. Dona Francisca e Nova Treviso ficam a 36 quilômetros da sede da antiga colônia e pertencem hoje a Cachoeira e Júlio de Castilhos, respectivamente. Nova Palma, o núcleo mais distante, fica 39 quilômetros.

Do comércio de Silveira Martins e Santa Maria saíram as famílias Callage, Rosário, Cauduro, Di Primio, Aita Lôndero, Toffoli Cullau, Sartori, Fogliatto, e muitas outras que se difundiram pelo estado ganhando projeção e relevo.

Além dessas colônias italianas que constituíram os núcleos iniciais do povoamento das matas da borda do planalto, muitas outras se estabeleceram na Província e depois no Estado, com rápido e notável desenvolvimento.

Entre os núcleos formados de italianos fundados pelo Governo Geral colocam-se os de Alfredo Chaves, em 1884; São Marcos, que data de 1885, estabelecido então no território de São Francisco de Paula; Barão do Triunfo e Vila Nova, ambos de 1888, nos municípios de São Jerônimo e de Santo Antônio da Patrulha; Antônio Prado, iniciado em maio de 1889; Ernesto Alves, então no município de Santiago, em 1890, e Marquês do Herval no de Osório, de 1891; fundadas pelo Estado contam-se as colônias: Guaporé, iniciada em 1892, Chimarrão, no município de Lagoa Vermelha (l897), Anta Gorda, então em Lajeado e Itapuca, em Soledade, dos quais provém o município de Encantado, e Maciel nos municípios de Canguçu e Pelotas, todas de 1902.

Das colônias particulares povoadas por imigrantes italianos a mais antiga é a de "Vila Nova", nos arredores desta capital, fundada por Vicente Monttegia; "Visconde de Rio Branco" em Cruz Alta em Lagoa Vermelha, e os lotes de Bastian & Cia. (l9O6), Deodorópolis (l9O8), e Ed. Palassin (1911), em Guaporé. e "São Paulo" na Soledade, todas de 1898. Seguem-se-lhe os de São Miguel (Cachoeira) e Dörken & Cia., (Guaporé) em 1899, os núcleos de Araçá (8/3/1901), Cacique Doble (3/4/1901), Sananduva (1/6/1902), e São Ricardo (9/5/1904).

Nas grandes colônias mistas do vale do Uruguai, é notável a contribuição do elemento italiano ao povoamento de Erechim, colônia fundada por proposta da Diretoria de Terras e Colonização de 6 de outubro de 1908, começada a povoar em fevereiro de 1910 com a chegada ali da primeira leva composta de quatro famílias com 28 pessoas e 8 solteiros e emancipada em 30 de abril de 1918, já com 32.000 habitantes.

Em 1873 os empresários introduziram 1.607 imigrantes, vindo ainda 259 por conta do Governo Geral para a colônia de Santa Maria de Soledade.

Da relação oficial consta terem entrado 892 alemães, 643 austríacos, 174 franceses, 101 portugueses, 36 suíços, 10 belgas e 10 suecos.

Do mesmo modo, só indiretamente se descobre o fato do povoamento do núcleo dos fundos de Nova Palmeira por colonos italianos a partir de 25 de outubro de 1875, data em que parte daquela gleba (68 lotes coloniais) foi anexada à Santa Maria da Soledade.

De fato, na primeira colônia mista, dividida em quatro distritos, havia então a seguinte população escolar apurada, segundo minucioso relatório de Carlos Jansen:

No distrito Silveira: 134 crianças descendentes de alemães, e holandeses. Idioma predominante o alemão.

No distrito Montravel: 50 descendentes de franceses, suíços e espanhóis. Idioma predominante o francês.

No distrito Coelho: 99 descendentes de italianos, alemães e suíços. Idioma predominante o alemão.

No distrito de Barcelos: 86 descendentes de alemães.

Aos fundos de Nova Palmeira: 52 filhos de alemães e italianos, com predominância daqueles.

Havia, ao todo, 49 italianos nesse ano naquelas terras que foram depois anexadas a Caxias e hoje pertencem a Farroupilha. A separação desse núcleo de Santa Maria era já aconselhada por Jansen - devia, a seu ver, ser anexado à 1ª e 2ª léguas do núcleo vizinho, formando uma colônia independente.

A grande imigração italiana viria porém a seguir, em 1876 e 1877, e, após um intervalo de quatro anos fracos, se intensificaria para atingir a máximos impressionantes em 1885, quando alcançou a 7.600 entradas, em 1889 quando se elevou a 9.440 e em 1892 no qual totalizou 7.523.

Daí se encontrarem entre os imigrantes pelo menos três tipos étnicos distintos: o mediterrâneo de estatura média ou abaixo da média, moreno, de cabelos escuros lisos ou ondeados, remanescente do Homo Meridionalis; o tipo alpino de procedência celta, estatura acima da média, braquicéfalo, claro, de olhos azuis ou cinzentos, e o tipo dinárico, predominante no Vêneto, longilíneo, branquicéfalo, de cabelos castanhos ou brunos. Não muito raro é igualmente o tipo nórdico, embora sejam os seus caracteres todos rescessivos e tendam a se fundir na massa bruna, como acontece com os alemães de Baden e da Baviera, de idêntica ou semelhante mistura étnica.

(Fonte desconhecida)


0 Comentários:

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário!! Se desejar entrar em contato envie-me e-mail clicando no link abaixo de cada postagem. Obrigada pela visita!